Astro é símbolo de Sergipe. Agora é hora de provar que sabemos protegê-lo
Durante anos, o peixe-boi-marinho Astro conquistou o carinho dos sergipanos e se tornou uma figura conhecida para quem acompanha a vida marinha do estado. Mas, por trás dessa história de identificação e afeto, existe uma realidade preocupante: Astro já foi vítima de diversas colisões com embarcações e continua exposto aos riscos provocados pela ação humana.
A decisão da Justiça Federal que determina medidas emergenciais para aumentar a proteção do animal representa, portanto, um importante sinal de alerta. Reforçar a fiscalização náutica, exigir protetores de hélice nas embarcações que circulam pelas áreas frequentadas por Astro e ampliar as ações de educação ambiental são medidas que podem fazer diferença entre a preservação e uma nova tragédia.
E Sergipe já deu um passo importante nessa direção.
Em 2025, a Lei nº 9.732 reconheceu Astro como Bem de Interesse Cultural do Estado de Sergipe, destacando sua importância ecológica, cultural e socioeconômica. A legislação também prevê uma série de ações para proteger o animal e seu habitat, incluindo monitoramento, pesquisas, educação ambiental, turismo responsável e recuperação de áreas degradadas.
Mas existe uma diferença enorme entre reconhecer a importância de um animal e efetivamente protegê-lo.
Uma lei, por mais importante que seja, não impede uma colisão. Um título de Bem de Interesse Cultural não reduz a velocidade de uma embarcação. Quem faz isso são fiscalização, conscientização, planejamento e cumprimento das regras.
É justamente aí que começa o verdadeiro desafio.
A proteção de Astro não pode depender apenas de decisões judiciais tomadas depois que os riscos já se tornaram evidentes. O ideal é que o poder público consiga agir antes que um novo acidente aconteça.
Também é preciso envolver quem utiliza essas áreas diariamente. Pescadores, moradores, turistas, operadores de embarcações e empresas precisam entender que preservar o habitat de Astro não significa impedir atividades econômicas ou de lazer. Significa encontrar uma maneira responsável de convivência.
Sergipe tem diante de si uma oportunidade de transformar o caso de Astro em um exemplo de preservação ambiental. A decisão judicial pode servir como ponto de partida para uma política mais ampla, permanente e integrada de proteção da espécie.
Astro já representa muito para o estado. Torná-lo um Bem de Interesse Cultural foi reconhecer isso oficialmente.
Agora, é preciso transformar o reconhecimento em proteção real.
Porque, quando um animal precisa da Justiça para ter garantida a própria sobrevivência, o recado é claro: ainda temos muito a fazer para que a preservação deixe de ser discurso e passe a ser prática.

